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Peixes do Caribe amam furacões catastróficos

Furacões como Dorian e Maria podem ser desastrosos para os seres humanos e suas propriedades, mas alguns peixes evoluíram para prosperar em condições climáticas severas.

Nossa equipe de cientistas estudou como eventos climáticos extremos afetam os peixes de rio em Porto Rico. A ilha é ideal para examinar os impactos ambientais e humanos em peixes de água doce, porque Porto Rico possui apenas nove espécies nativas e, ao contrário das ilhas menores do Caribe, muitos rios em seu interior – 46, para ser exato.

Numerosos peixes exóticos, introduzidos por seres humanos ao longo do século passado, competem por comida e habitat limitados, com espécies porto-riquenhas, como o escalador de cachoeiras Sirajo Goby, as aerodinâmicas tainhas das montanhas e o dorminhoco boca grande, um dos principais predadores do rio.

A nativa do Caribe Tainha-montanhesa (em cima) evoluiu para sobreviver às inundações. O sedentário ciclídeo chamado de Diabo vermelho, um peixe nativo da Nicarágua, mas agora presente nos lagos e rios de Porto Rico, é mais adaptado para a seca. Tom Kwak, Fornecido pelo autor. Como esses mesmos peixes nativos são encontrados em todo o Caribe, sua conservação é uma importante prioridade ambiental para a região. Os peixes nativos são perfeitamente adaptados ao ambiente e prestam serviços aos seres humanos, como transporte de alimentos e nutrientes. Sua presença indica um ecossistema saudável e água potável.

Depois que o furacão Maria atingiu a ilha em 2017, descobrimos que espécies não-nativas – e apenas as não-nativas – foram dizimadas pela tempestade.

Milhares de peixes exóticos, que são fisicamente adaptados para sobreviver à seca – e não a intensas correntezas e enchentes – foram liberados muito abaixo do rio durante o furacão Maria, até mesmo no oceano. Muitos morreram de trauma por força contundente ou exposição à água salgada.

O rio Espíritu Santo após o furacão Maria de 2017 (no topo) e 18 meses depois. P. Gutierrez-Fonseca, Fornecido pelo autor. Os peixes nativos dos rios, ao contrário, não foram afetados pelo furacão. A forma do corpo e o comportamento destes peixes são adaptados para sobreviver em águas altas e rápidas. Os peixes porto-riquenhos são os mais atingidos pela seca, uma vez que lutam para migrar para a reprodução e encontrar comida quando as águas estão baixas.

Grandes furacões, em suma, redefinem o equilíbrio nos rios de Porto Rico, favorecendo peixes nativos em detrimento de espécies importadas. O mesmo se aplica aos rios do Caribe.

Então, quais peixes vencerão a batalha por recursos nas águas do Caribe? A resposta pode mudar com o clima.

As previsões climáticas indicam que o Caribe enfrentará furacões mais catastróficos e aumento da seca no futuro.

Com a ajuda dos funcionários e assistentes de pós-graduação Gus Engman, Bonnie Myers e Ámbar Torres, agora estamos realizando experimentos para entender melhor a dinâmica entre peixes nativos e exóticos em Porto Rico. Planejamos modelar o equilíbrio futuro entre essas espécies – e, esperamos, ajudar a manter os peixes nativos do Caribe nadando.

Fonte: The Conversation / Thomas J. Kwak, Alonso Ramirez Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite Para ler a reportagem original em inglês acesse: https://theconversation.com/caribbean-fish-love-catastrophic-hurricanes-120801**


Publicado em 04 de outubro, 2019.